Poderia tratar-se de uma dupla personalidade, como uma doença inequivocamente tratada no âmbito das ciências psicológicas e se formos por ai, ela é, irredutivelmente uma doença, que (in) felizmente temos por convivência diária.
A cara da moeda, de relação real, é aquela face em que nos deparamos com a essência da pessoa, o que ela é, sem stigmatas, farsas planeadas e determinações do que se deve ser à priori! Falo claro, do que somos na vida, sem barreiras que possam subestimar a expressão. Os olhos não mentem, nem o sorriso, nem tão pouco os gestos e é esse o tutano da vida, aquele que não se consegue falsear pelos meandros da teatralização dos mesmos.
A coroa, só pode ser a jóia, porque é nessa face que se consegue deturpar tudo o que se é, fabricar tudo o que se sente…porquê? Porque aquilo que damos são palavras, despidas de tudo, contextos e intimismos. Meias palavras e sentidos, até nos permitimos a determinadas veleidades. Confessemos, por vezes conseguimos desempenhar um papel muito bem enquanto ninguém vê. Do outro lado do ecrã, do papel, ousamos a agressividade, a disparidade daquilo que somos… o inevitável poder sobre aquilo que nos diz respeito, o controlo de tudo, porque as palavras como diz um dicionário tem várias versões consoante o contexto…e quando na ausência de tal, reservamo-nos apenas para a esfera da (des) ilusão, por um sentido, ou pelo feliz acaso da assertividade noutro.
São as duas faces da mesma moeda!
Ana